terça-feira, 28 de dezembro de 2010

República precária

Chega ao fim o ano da comemoração do centenário que decorreu, afinal, à custa de muitos trabalhadores a falsos recibos verdes. Foram “atropelados pela República”.
Em 2010 comemoraram-se os 100 anos da implantação da República portuguesa. Festejou-se o centenário da cidadania, do progresso, dos direitos, da informação, do Estado alicerçado nas pessoas.
Contudo, os festejos, enredados em nostalgias, ilusões e elogios ao sistema, realizaram-se sob a ironia do atraso, da exploração e da falta de respeito por quem trabalha – o centenário assinalou-se no tempo dos falsos recibos verdes. Envoltos na vertigem da contradição, comemorou-se o progresso com a regressão nos direitos laborais e com o trabalho mal pago - quando pago - de centenas de trabalhadores.
As primeiras denúncias surgiram exactamente no mês da República, Outubro, altura em que os trabalhadores a falsos recibos verdes já esperavam quase 3 meses de salário, nomeadamente os guias das exposições “Viajar” e “Corpo”. 
Assim, conforme chegou a denúncia dos falsos recibos verdes, ou seja, a existência de contratação por via ilegal no âmbito das comemorações do Centenário – a forma de relação laboral imposta aos guias-assistentes das exposições “Viajar” e “Corpo” é ilegal, pois apesar de existir um horário de trabalho, folgas definidas, inserção numa equipa, subordinação hierárquica, utilização das instalações e até da indumentária da entidade contratante, não foram realizados contratos de trabalho com aquelas pessoas – chegou também a denúncia da ausência de pagamento dos salários de Julho, Agosto e Setembro. E viva a República! Quanta hipocrisia…
Quando teve conhecimento desta situação, o Bloco de Esquerda inquiriu o Governo, através do Ministério da Presidência, sobre se este teria conhecimento da situação de ilegalidade e por que razão não tinham sido celebrados contratos de trabalho com aqueles trabalhadores, nem lhe tinham sido pagos os honorários devidos.
A resposta de Artur Santos Silva, Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República lá chegou e é inacreditável. 
O também banqueiro e fundador do BPI considera legal a situação contratual daqueles trabalhadores porque "os guias em causa, maioritariamente jovens universitários, desenvolvem a sua actividade de forma autónoma e sem subordinação (...)". Estaria ele a falar de criatividade para justificar o recibo verde? Sim, isso mesmo: “Porque compete a cada prestador de serviços adequar o seu discurso e a explicação dos conteúdos da Exposição a públicos de diferentes faixas etárias e níveis de ensino (...) de acordo com as dinâmicas do grupo". 
Respondida deste modo a questão sobre a ilegalidade da relação laboral, Artur Santos Silva esclareceu ainda, pasme-se, que "todos os guias foram devidamente esclarecidos, antes de iniciarem a sua tarefa, sobre a morosidade do procedimento e consequente pagamento tardio, situação que foi aceite por todos". Afinal, a exploração é devida se for avisada previamente ou justificada candidamente depois. 
O estado do Estado em termos de direitos revela-se assim completamente entregue à impunidade. Ele mesmo, o Estado, não arroga para si o cumprimento das suas mais elementares leis laborais e contribui activamente para o flagelo social da precariedade que todos os dias retira dignidade e condições de subsistência a milhares de trabalhadores, também cidadãos desta República. Que poder poderá ter este Estado onde o valor da lei, enquanto garantia de direitos, é negociável como um quilo de laranjas ou está entregue à criatividade dos governantes?
O verdadeiro exemplo de cidadania chegou por parte dos trabalhadores das exposições “Viajar” e “Corpo” que não só ajudaram a celebrar a República como fazem hoje uso dela e de um dos seus mais importantes ensinamentos – o Estado é das pessoas e não contra as pessoas – e por isso, falaram com os movimentos de precários, organizaram-se para exigir direitos e agora tornam públicas as suas denúncias num blogue onde contam como foram “atropelados pela República”. Estes trabalhadores-cidadãos não desistiram da construção de um Estado com direitos.
No seu blogue encontram-se testemunhos que poderão, porventura, fazer corar alguns patrões. Ali ficamos a saber que a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República ainda só pagou (agora em Dezembro) uma tranche dos salários devidos desde Julho, que contratou e “descontratou” no mesmo dia, que não cumpriu a lei e pediu falsos recibos verdes aos trabalhadores que asseguraram as suas exposições de sucesso, em vez de assinar contratos de trabalho (A “Viajar” recebeu 10 mil visitantes só no primeiro mês), que não respeitou todos os trabalhadores que tornaram possíveis as comemorações com dedicação e horas extra. Ali ficamos a saber que o Centenário foi comemorado com exploração, assim mesmo, sem escrúpulos legais ou constitucionais.
Em nome da República, condene-se a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
 

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.